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Veja a utilização do diminutivo e do aumentativo – 16/02/2005 – Resumos | Língua portuguesa

Era uma velha sequinha que, doce e obstinada, não parecia compreender que estava só no mundo.” É assim que Clarice Lispector nos apresenta a personagem principal do conto “Viagem a Petrópolis”, para logo adiante acrescentar que atendia pelo nome de “Mocinha”. Outro seria o efeito se a escritora afirmasse tratar-se de uma “velha seca”.

Ao empregar o sufixo de grau diminutivo, além de intensificar a característica, a autora reforça a ideia de docilidade presente na descrição e retomada no nome da personagem, também um adjetivo acrescido do sufixo “-inha”.

O uso do diminutivo é um recurso próprio da linguagem afetiva e, portanto, largamente encontrado na fala. A mãe que tenta convencer a criança a comer oferece-lhe um “bifinho”, uma “sopinha”. A comida caseira também é lembrada com carinho: uma “farofinha”, um “feijãozinho”.

Além de expressar noções positivas, pode o diminutivo conter carga negativa. Quando a palavra em grau normal denota coisa triste ou lamentável, o sufixo “-inho” traduz simpatia (pobrezinho, doentinho). Mas, quando ela tem sentido desfavorável, o sufixo conota “atenuação tolerante” (feinho, bobinho). Há sufixos de diminutivo cuja força depreciativa é flagrante. Um “jornaleco” jamais será um grande jornal.

O sentido depreciativo, entretanto, é associado geralmente aos sufixos de aumentativo. O tamanho excessivo é visto como algo feio e desproporcional. A ninguém agradará ouvir que tem um “narigão” ou um “cabeção”. Se o sufixo “-ão” indicar agente de ação, a expressão assumirá claro sentido pejorativo. Não será nada elogioso chamar alguém de “fujão” nem de “mandão”.

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Ultimamente tais sufixos têm sido usados para apelidar estabelecimentos comerciais, como “varejão” ou “sacolão”. São muitos os casos em que os diminutivos e aumentativos tiveram neutralizada a informação de tamanho, adquirindo novos significados. “Portão” e “cartão” já não remetem a grau aumentativo; “camisinha” não é uma camisa pequena; “folhinha” é sinônimo de calendário; “caninha” é aguardente de cana; “camarim”, diminutivo de câmara, tem uso específico.

Tal esvaziamento de sentido é mais observável entre os diminutivos de origem erudita, que carregam o sufixo “-ulo” (célula/cela, cutícula/cútis, glóbulo/globo, fascículo/feixe, óvulo/ovo). A própria palavra “óculos”, de origem latina, ao pé da letra, quer dizer “olhinhos”, assim como “ósculo”, hoje sinônimo de beijo, é um diminutivo de boca, indicando o formato dos lábios de quem joga um beijo de longe. Que tal uma pausa para um “cafezinho”?

*Thaís Nicoleti de Camargo é consultora de língua portuguesa da Folha

via Veja a utilização do diminutivo e do aumentativo – 16/02/2005 – Resumos | Língua portuguesa.

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